Pensar a criação como jogo
François Euvé
Nos dois capítulos iniciais da terceira parte de meu livro Pensar a criação como jogo dilucidei as principais características da noção de jogo, tornando-a, assim, mais "operacional" para sua utilização na teologia. Entretanto, mostrei, também, que pensar o jogo introduz um "desvio" no pensamento. Pensar o jogo como "símbolo do mundo" (Fink) convida a um deslocamento do olhar, no sentido de um envolvimento, que contrasta com a atitude analítica, distanciada, "metafísica" do observador externo. Desse ponto de vista, parece que atitude "lúdica" e atitude "científica" se opõem. É o caso da "ciência", entendida enquanto discurso sistemático sobre o mundo, que visa à completitude. Todavia, se formos sensíveis ao método de pesquisa, descobriremos, nele, uma abertura que permitirá falar de "jogo". Existe jogo nessa dialética da "eficácia" e da "gratuidade", da afirmação das regras e da inventividade que se desenvolve em seu marco.