Acesso ao Portal Paulinas

Ciberteologia
Revista de Teologia & Cultura

Edição nº 56 – Ano XIII – Setembro/Dezembro 2017 – ISSN: 1809-2888

E o guardião saiu gritando Nossa Senhora a-Kirós-Pita

Resumo: O presente artigo penetra numa tradição secular da devoção a Nossa Senhora Achiropita, uma devoção, ao mesmo tempo, tão afável para muitos imigrantes italianos, mas por certo pouco conhecida em outros espaços devocionais. De fato, no mundo inteiro existem apenas duas paróquias dedicadas a este título mariano. Trata-se de uma devoção trazida ao Brasil pelos calabreses que vieram em busca de dias melhores e se alojaram na região do Bixiga (atual Bela Vista), na cidade de São Paulo. Na ocasião, a região era rural e compreendia uma pequena chácara de fruticultura e hortaliças. A devoção ganhou notoriedade ao longo dos anos e assumiu grande atividade social e promocional com os padres orionitas (São Luís Orione), que atualmente, com uma comunidade muito atuante, animam muitas pastorais e atendem diariamente mais de mil pessoas, gratuitamente, de famílias oriundas de várias partes do Brasil, entre eles moradores de rua, crianças, jovens, idosos e tóxico-dependentes. Neste trabalho, discorremos sobre o processo migratório dos povos italianos da Calábria para o Brasil no final do século XIX; as várias tradições culturais e religiosas que as famílias calabresas trouxeram, bem como a maravilhosa história que deu origem a esta devoção; além de fatos e legendas que o povo conta com tanto entusiasmo e emoção. São histórias repetidas de geração em geração e que se conservam até nossos dias. Ainda descrevemos a preciosidade da imagem principal da tradição Achiropitana, desde seu translado até as particularidades de sua representação, imitando as mulheres da região de sua origem. As pessoas sempre se emocionam e choram quando narram os fatos, como se os tivessem vivido e os revivessem. Finalmente, a atualidade religiosa, social e cultural da comunidade que se ajoelha diante da Madonna Achiropita.

Palavras-chave: Imigração italiana, devoção mariana, ícone religioso, milagres e graças, comunidade paroquial, festas e jubileus.

Por: Antônio S. Bogaz e João H. Hansen – Respectivamente, doutor em Teologia e Filosofia e doutor em Literatura Portuguesa.