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Ciberteologia
Revista de Teologia & Cultura

Edição nº 55 – Ano XIII – Maio/Agosto 2017 – ISSN: 1809-2888

Poesia sagrada como arte: uma análise literária e retórica do Salmo 49

Tiago Abdalla Teixeira Neto

Resumo: Os antigo poetas hebreus usaram não apenas o conteúdo de seus textos, mas também a forma deles para comunicar sua mensagem ao público de sua época, empregando recursos literários e retóricos importantes para isso. O autor do salmo 49 é identificado como membro do movimento sapiencial do antigo Israel, preocupado com o problema da prosperidade dos ímpios enquanto os justos sofrem. Sua resposta a esse dilema é construída por meio de um texto com estrutura quiasmática, que repete um refrão, com certa variação, para mostrar que o homem que confia em seus bens não permanece para sempre nem consegue perceber a limitação e fragilidade de sua vida. Por meio de recursos literários, como assonância e repetição de termos com sentidos opostos, o salmista retrata, com certa ironia, a infeliz sina dos que confiam em riquezas transitórias, as quais não podem alterar o curso final da vida humana: a morte.

Palavras-chave: Arte, Exegese, Literatura, Poesia, Salmo.

Abstract: The ancient Hebrew poets used not only the content of their texts, but also the form of them to communicate its message to the public of his time, using important literary and rhetorical resources for this. The author of Psalm 49 is identified as a member of the sapiential movement of ancient Israel, concerned with the problem of the prosperity of the wicked while the righteous suffer. His response to this dilemma is constructed through a text with a chiasmatic structure that repeats a refrain with a certain variation to show that the man who trusts in his possessions does not remain forever nor can he realize the limitation and fragility of his life. By means of literary devices, as assonance and repetition of terms with opposite meanings, the psalmist portrays, with some irony, the unfortunate fate of those who rely on transient riches, which can not alter the final course of human life: death.